Nota para o formador: Explique que a empatia não consiste apenas em sentir a dor de outra pessoa, mas também em compreender o seu mundo a partir do respetivo ponto de vista.
Método: Apresentação interativa.
Materiais: Quadro branco e armações de óculos coloridas (opcional).
1. Definição de empatia: O formador enquadra o conceito de empatia com as seguintes palavras:
"A empatia não significa simplesmente ser educado. Significa conseguir ver, através dos olhos da outra pessoa, o que ela sente e entrar na mesma frequência emocional sem perder o nosso próprio sentido de identidade. Quem utiliza a empatia observa claramente a situação de fora e cria um espaço de apoio ao dizer: 'Consigo ver que neste momento estás a passar por muitas dificuldades.' A empatia é como um músculo; torna-se mais forte quanto mais a utilizamos e praticamos."
2. Debate "Olhar através dos Óculos de Outra Pessoa": Para ajudar os participantes a entrar no mundo das crianças de quem cuidam na instituição, peça-lhes que imaginem pôr de lado os seus julgamentos pessoais e os "óculos de adulto" e colocar "óculos de empatia", que têm em conta os traumas passados e a situação atual da criança.
"Caros colegas, quando falamos de empatia, todos dizemos: 'Sim, eu já utilizo a empatia.' No entanto, ao trabalhar com crianças na prática, caímos inconscientemente numa grande armadilha: olhamos para a criança através dos nossos próprios óculos de pais ou de adultos e ignoramos completamente os óculos da própria criança. Examinemos agora a diferença entre estes dois pares de óculos e as armadilhas invisíveis em que caímos no contexto dos cuidados institucionais:
Enquanto adultos, temos um cérebro lógico muito desenvolvido, muitos anos de experiência de vida e uma visão do mundo consolidada. Quando acontece alguma coisa, passamo-la pelo nosso próprio filtro lógico.
Correspondência na prática: Quando uma criança de nove anos faz uma grande cena e chora na sala porque um amigo lhe tirou o lápis de cor sem autorização, se estivermos a usar "óculos de adulto" podemos pensar: 'É apenas um lápis de cor. Damos-lhe outro e fica resolvido. É preciso chorar tanto por isto? Que criança difícil.' Esta é a perspetiva do adulto. Interpreta o acontecimento apenas através do "valor material" do lápis e da "lógica".
Durante um momento, silenciamos completamente os nossos próprios julgamentos e a voz adulta que diz: 'Porque é que isto tem tanta importância?' Consideramos a etapa de desenvolvimento da criança, o seu passado desfavorecido e a luta para encontrar um lugar na instituição.
Correspondência na prática: Olhemos agora para a grande reação da criança ao mesmo lápis através dos "óculos de empatia". Esta criança está sob proteção, tem um sentido de pertença fragilizado e dispõe de muito poucos espaços seguros que sejam verdadeiramente seus. O lápis de cor não é apenas um artigo de papelaria; é um enorme símbolo de 'aquilo que me pertence, que está sob o meu controlo e que representa os meus limites'. Quando o amigo leva o lápis sem autorização, a criança não sente que perde apenas o lápis; sente como se perdesse a segurança, os limites e os direitos. Esta é a realidade mais profunda revelada pela perspetiva da criança.