SESSÃO 5: COMPETÊNCIAS SOCIAIS

ETAPA 3: Capacidade de Resolução de Problemas

ETAPA 3: Capacidade de Resolução de Problemas

Nota para o formador: Ajude os participantes a interiorizar as etapas "Pensar-Falar-Ouvir", que permitem às crianças criar as próprias soluções, em vez de se tornarem juízes que resolvem os problemas em seu nome.

Método: Trabalho em pequenos grupos.

Materiais: Fichas de trabalho e cartões de cenários "Criar uma Solução, Utilizá-la!".

Etapas de aplicação:

1. Papel do progenitor/cuidador: O formador apresenta o princípio básico do guia:

"Quando uma criança tem um problema, em vez de o resolvermos em seu nome ou de nos tornarmos juízes que decidem quem tem razão, devemos perguntar que estratégia animal está a utilizar e orientá-la para uma solução. O nosso objetivo é ajudar as crianças a utilizar as estratégias da Raposa ou da Coruja, consoante a situação, em vez de se tornarem uma Tartaruga ou um Tubarão."

2. Atividade da cadeia "Pensar-Falar-Ouvir": Dê a cada grupo um cenário-problema.

Os participantes estruturam etapas de intervenção que ajudam as crianças, primeiro, a parar e pensar numa estratégia adequada durante uma crise, depois a falar de forma construtiva com a outra parte e, por fim, a ouvir a necessidade da outra pessoa.

Distribuição dos cenários: Divida os participantes em grupos de três ou quatro pessoas. Dê a cada grupo um dos seguintes cenários:

Cenário 1: Duas crianças querem utilizar o mesmo computador. Ambas dizem "Cheguei primeiro" e a discussão aumenta.

Cenário 2: Uma criança leva um objeto de outra sem autorização e a segunda grita, zangada: "Ladrão!"

Cenário 3: Durante um jogo de grupo, uma criança não cumpre as regras e as outras querem excluí-la do jogo.

• PENSAR (Parar e Avaliar): O cuidador não apresenta de imediato uma solução às crianças que estão a discutir. Primeiro, convida ambas a acalmar-se e faz, uma a uma, as seguintes perguntas:

"O que estás a sentir neste momento? Diz numa palavra." (Nomear a emoção)

"O que aconteceu exatamente? Conta-me." (Descrever o acontecimento a partir da perspetiva da criança)

"O que querias?" (Clarificar a necessidade)

Estas perguntas fazem o cérebro da criança sair do "modo de reação" e entrar no "modo de pensamento". Nesta etapa, o cuidador não julga; limita-se a ouvir e a orientar.

• FALAR (Expressão Construtiva): Peça à criança que explique o problema à outra pessoa utilizando a linguagem do "Eu" que aprendeu. Se necessário, o cuidador pode iniciar com o seguinte modelo:

"Consegues explicar isto utilizando a linguagem do 'Eu'? Em vez de dizeres 'Tu fazes sempre...', começa por 'Eu senti... porque...'."

O cuidador não interrompe enquanto a criança fala. Quando terminar, pergunta que estratégia animal foi utilizada:

"Com que animal te comportaste agora? Um Tubarão, uma Tartaruga ou outro animal?"

• OUVIR (Compreender a Outra Parte): Agora é a vez da outra criança. Peça-lhe que utilize o mesmo formato da linguagem do "Eu" e peça à primeira criança que se limite a ouvir, sem interromper nem contestar. Quando o processo terminar, pergunte às duas crianças:

"O que estava a sentir a outra pessoa? De que precisava?"

Esta pergunta exige que a criança assuma a perspetiva da outra pessoa - ou seja, que utilize a empatia. O cuidador escreve no quadro ou num papel as necessidades de ambas as partes e pergunta:

"É possível satisfazer as necessidades de ambos? Que solução funcionaria para os dois? A Raposa ou a Coruja?"

Partilha em grande grupo: Cada grupo apresenta brevemente o seu cenário e a solução encontrada. O formador aprofunda o debate com a seguinte pergunta:

"Qual é, na vida real, o elo mais difícil desta cadeia: Pensar, Falar ou Ouvir? Porquê?"