
As explosões de raiva e a agressividade são difíceis para muitos cuidadores. O guia distingue a raiva, uma emoção que todas as pessoas podem sentir, da agressividade, um comportamento que causa dano a pessoas ou objetos. A tarefa do cuidador não é impedir a criança de sentir raiva, mas ajudá-la a desenvolver controlo de impulsos, autorregulação e regulação emocional para reduzir a probabilidade de a raiva se transformar em bater, morder ou atirar objetos.
São descritos três estilos gerais de resposta em momentos emocionais:
Progenitor/Cuidador que Desvaloriza as Emoções - Considera as emoções da criança, sobretudo as desagradáveis, pouco importantes ou passageiras e pode tentar afastá-las rapidamente com frases como «Não há motivo para chorar». Isto pode levar a criança a acreditar que os seus sentimentos estão errados e a reprimi-los.
Progenitor/Cuidador Permissivo - Aceita as emoções da criança e demonstra empatia, mas não estabelece limites comportamentais nem ajuda na resolução de problemas; por exemplo, pode não intervir quando a criança bate ou grita durante uma crise. As crianças que crescem neste estilo podem ter mais dificuldade em aprender a controlar os impulsos.
Progenitor/Cuidador que faz Coaching Emocional - Vê as crises emocionais como oportunidades para criar ligação e ensinar competências, mantendo ao mesmo tempo limites comportamentais. Esta abordagem procura um equilíbrio saudável entre empatia e definição de limites.
A abordagem de coaching emocional de Dr. John Gottman apresenta cinco passos que podem ser aplicados em momentos de crise:
01 Tomar Consciência - Reparem na emoção da criança e nas vossas próprias emoções, mesmo quando a intensidade ainda é baixa.
02 Ver como uma Oportunidade - Encarem uma explosão de raiva ou tristeza como uma oportunidade para se aproximarem, criarem ligação e ensinarem uma competência, em vez de simplesmente afastarem a criança.
03 Ouvir com Empatia e Validar - Mostrem que compreendem a experiência interna da criança, por exemplo: «Vejo que estás muito desiludido agora.» Validar não significa permitir comportamento prejudicial; significa reconhecer a experiência emocional.
04 Ajudar a Nomear a Emoção - Orientem a criança para um nome mais preciso para aquilo que sente, por exemplo: «Parece que te sentiste excluído.»
05 Estabelecer Limites e Resolver o Problema - Coloquem um limite claro ao comportamento e apresentem alternativas, por exemplo: «É normal sentires raiva, mas não posso deixar que batas. Podemos descarregar a energia de uma forma segura e depois pensar em como resolver o problema.»
Podem reconhecer o «modo» do cérebro da criança numa crise da seguinte forma:
Modo de Sobrevivência (Bater/Partir) - Se a criança bate ou atira objetos, o cérebro está em estado de alarme e pensar logicamente torna-se muito difícil.
Modo Emocional (Gritar/Chorar) - Se a criança está a gritar ou a berrar, encontra-se dominada por emoções intensas.
Enquanto a criança se encontra nestes dois modos, a sua capacidade de ouvir e de resolver problemas fica fortemente reduzida. Para voltar a pensar de forma lógica, precisa primeiro de se sentir segura. Responda com calma e compaixão, em vez de recorrer ao castigo ou aumentar o conflito.
Como fazer: Deitem-se frente a frente e coloquem uma pequena bola de algodão entre ambos. A regra é que o algodão só pode ser soprado depois de o adulto dar a instrução «Sopra». Objetivo: Praticar, de forma lúdica, esperar pela vez, ouvir um sinal e inibir um impulso imediato.
Como fazer: Utilizem dois fantoches ou brinquedos de peluche para representar um conflito familiar, como duas crianças com dificuldade em partilhar um brinquedo. Deixem a criança expressar emoções intensas através do fantoche, a uma distância emocional mais segura, e explorem depois como os fantoches podem chegar a entendimento «falando» em vez de baterem. Objetivo: Apoiar a expressão emocional e a resolução de problemas através da brincadeira.